| Paulo Martins de ciclista a comentador da Eurosport |
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| 20-Mar-2008 | |
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Fomos passar uma tarde com o Paulo Martins e conhecer um pouco da sua vida ligada ao ciclismo.
O Paulo tem 36 anos, 33 dos quais vividos no ciclismo, começou a competir com 3 anos de idade, como surgiu o ciclismo na sua vida?
R- O meu pai foi em tempos director no Casa Pia, equipa que viu nascer Alexandre Ruas para o ciclismo nacional, é considerado um dos melhores sprinters de todos os tempos em Portugal. Acompanhava o meu pai nos treinos e rapidamente passei de acompanhante a atleta na U.C.Buraca.
A U.C.Buraca foi a sua única equipa de formação?R- Não, passei também na U.C.Damaia e mais tarde no GR Mato-Cheirinhos, onde estive até ao final da minha primeira época de Sub23, vila onde resido actualmente e que viu também crescer para o ciclismo profissional Sérgio Paulinho (Astana), Hugo Sabido (Barloworld), Ricardo Martins (Ceramica Flaminia) e ainda o Ricardo Horta (Barbot-Siper), e acredito que outras estrelas iram continuar a sair deste viveiro.
Que vitória (s) marcaram mais a sua juventude?
R- Foi sem duvida o meu único título nacional de estrada alcançado aos meus 9 anos.
Conte-nos episódios engraçados dessa altura.
R- Assim rapidamente lembro-me de dois episódios, num circuito em Mafra passei 15 voltas a olhar para debaixo de um carro onde estava uma nota de 50 escudos perdida, mal terminei a corrida (venci) continuei mais meia volta para ir buscar a nota, a segunda situação foi de ter perdido uma prova, e porque tinha mau feitio mandei a bicicleta ao chão, que se estragou, quem não ficou muito satisfeito foi o meu pai (risos).
Com a chegada a Sub23 as vitórias continuaram a acontecer como anteriormente?
R- Infelizmente não, já se sabe que nestas alturas o ciclismo torna-se mais complicado, porque se chega a correr com ciclistas 4 anos mais velhos, ainda assim venci corridas importantes, o que me deu sempre oportunidade de estar nas melhores equipas nacionais, o que também me deu acesso á Selecção Nacional.
Que equipas representou nessa altura?
R- GR Mato-Cheirinhos, Águias de Alpiarça, Tróia-Mariscos e Janotas & Simões.
Olhando a essas equipas, mensalmente era bem remunerado em comparação com o ciclismo actual?
R- Olhando aquilo que se ouve nos dias actuais, sim considero que era muito bem pago, principalmente nos meus últimos 3 anos de Sub23, nesta altura penso que só o SL Benfica de Sub23 poderão ter alguns jovens ganhar mais do que eu recebia naquela altura.
Ao fim de 4 anos de Sub23 subiu a profissional pelo Janotas & Simões, que sentiu nessa altura?
R- Um concretizar de um pequeno sonho e uma prenda para o meu pai, que me ajudou sempre na minha carreira.
Fala muito do seu pai, foi importante na sua carreira?
R- Sem dúvida, foi pai, amigo, treinador, tudo…. Aprendi muito com ele e ainda hoje meto algumas coisas que aprendo com ele em prática. Devo-lhe tudo o que sou hoje.
Depois de uma primeira temporada no Janotas & Simões como profissional, rapidamente foi contratado pelo Recer-Boavista, que sentiu nesse momento?
R- Estive dois anos no Janotas & Simões e guardo essa altura com muito carinho, deixei ali muitos amigos, nunca esquecerei os patrões da equipa, Eusébio e Domingos Janotas, e como é lógico os resultados alcançados, pois foram eles que me proporcionaram o convite do Boavista. Pensei que ao ir para o Bessa seria um passo importante na minha carreira, mas rapidamente vi que estava errado, nunca ou raramente fui aposta do Professor José Santos, e já se sabe que quem não mostra resultados é esquecido, comigo não foi diferente.
Fale-nos da sua saída do Bessa até ao final da sua carreira.
R- Depois de ter saído do Boavista tive de refazer a minha carreira, desci a amador por uma temporada, onde estive no Sintrense, mas disse a mim mesmo que se no ano seguinte não voltasse a profissional, acabaria o ciclismo para mim. Felizmente o Tavira acreditou em mim, principalmente o DD José Marques (grande amigo), e o patrão da equipa, o Tio Brito da Mana (um pai para mim), posso dizer que vivi 3 dos melhores anos da minha carreira, mas também maus momentos, como foi o caso da queda de 1999 no GP Portugal Telecom, chegaram-me mesmo a noticiar o fim da minha carreira.
Foi ai que acabou a sua carreira?
R- Não, voltei a correr 6 meses depois no Porto-Lisboa, foi um momento especial para mim pela maneira carinhosa como fui recebido pelos meus companheiros de profissão, mas nunca mais fui o mesmo ciclista.
O Paulo era reconhecidamente um bom sprinter na sua altura, a queda afectou-lhe o rendimento?
R- Sim muito, foram muito poucas as vezes que consegui voltar a sprintar depois da minha recuperação, tinha medo de me por nas confusões, e essa foi uma das causas do meu abandono como ciclista.
Qual foi o outro (s) motivo (s)?
R- O outro foi que eu sempre disse que quando o ordenado mensal não compensasse, a minha carreira terminaria e daria o meu lugar aos mais jovens, também merecem uma oportunidade.
Após a sua saída do Tavira passou um último ano no ASC Vila do Conde ao lado do Sérgio Paulinho, como foi esse ano?
R- Não foi bem um ano, porque pensava já ter terminado a minha carreira e já no decorrer da época de 2001, o DD da equipa Jacinto Paulinho veio ter comigo e convidou-me a fazer o resto da temporada na equipa, foi quase como uma preparação para o fim da minha carreira e um abrir caminho para outras actividades, na altura estava a terminar um curso e meio de massagem/fisioterapia.
Mas por incrível no ano de 2002 já não era ciclista, mas também não exercia a 100% a sua actividade de massagem como tinha programado, que aconteceu?
R- Surgiu algo que nunca esperei que acontecesse, através do meu amigo Marco Chagas, fui convidado para comentar ciclismo na Eurosport.
Entretanto já está na Eurosport á sete anos, está arrependido da decisão tomada?
R- Arrependido??? Nunca, foi das melhores decisões que tomei até hoje, o ciclismo não podia durar para sempre e aproveitei para ficar ligado ao ciclismo que foi sempre a minha vida e fazer algo que nunca tinha feito, mas que me fascina.
Sente-se um bom comentador?
R- Bem isso é complicado responder, sou um crítico de mim próprio porque penso que não existe perfeição em nada. Considero-me mais maduro do que á sete anos atrás. A experiência adquirida ao longo dos anos tornam os comentários mais fáceis e as criticas tem sido boas nos últimos dois anos.
Isso quer dizer que os cinco anos iniciais recebeu muitas críticas negativas?
R- Prefiro considerar mais que tenham sido criticas construtivas, só dessa forma podemos melhorar no nosso trabalho, os adeptos estavam habituados a ouvir o João Pedro Mendonça e o Marco Chagas, que continuam a ser uma referência nos comentários, ainda assim sei que parte das criticas recebidas são por inveja, mas com essas situações também sei lidar.
Sente que pode substituir o Marco Chagas?R- Não, ninguém é substituível, o Marco é o Marco, o Paulo é o Paulo. Acima de tudo a dupla Paulo Martins/Luis Piçarra está cada vez melhor e para durar.
Como o Paulo se prepara um directo?
R- Muita pesquisa e leitura na Internet, começa 2 a 3 dias antes de cada competição iniciar-se, vou comprando revistas e jornais durante todo o ano, leio sites nacionais e internacionais, faço muitos apontamentos e a memória também vai guardando muita coisa. Prefiro levar dez folhas de apontamentos e precisar apenas de quatro, do que precisar de dez e ter apenas quatro.
Quer dizer que está ligado á modalidade durante o ano inteiro?
R- Pode dizer-se que sim, porque termina a temporada velocipedica mas temos de ter em atenção as transferências já habituais de Inverno no mercado, mas faço-o com muito gosto, porque adoro o que faço, no futuro gostava de comentar ciclismo nacional.
Sabemos que o Paulo ainda arranja tempo para outras actividades.
R- Sim, o meu curso de massagem tirei-o para lhe dar uso, sempre que possível faço domicílios e tenho gabinete próprio, e ainda faço planificações de treinos para atletas.
Treina muitos atletas individualmente, que idades abrange?
R- Vão desde a formação até aos profissionais, infelizmente reduzi o número de atletas porque o tempo é escasso, e requer muita atenção na preparação dos treinos, e não faço planificações só por fazer, está em jogo a carreira dos atletas.
É por treinar atletas que voltou a treinar e a voltar á competição, neste caso na categoria de Master?
R- Sim, esse foi a principal razão, posso acompanhar mais de perto os ciclistas treinados por mim, por menos aqueles que residem perto de mim, porque existem outros a quem não posso dar essa atenção.
Por arrastamento desses treinos surgiu o convite da equipa do Janotas & Simões para fazer a temporada de 2008 na equipa.
Foi o único convite que teve?
R- Não, o Vítor Lourenço (Viveiros) também me convidou, mas por motivos particulares e pela amizade que me une ao Janotas & Simões optei pela equipa de Pêro Pinheiro.
Que objectivos tem este ano nos Masters?
R- Acima de tudo divertir-me e rever amigos que já não via á mais de 15 anos, na parte desportiva farei sempre o meu melhor, mas acima de tudo estou ao dispor do grupo e á inteira disposição do DD Armindo Lúcio.
Depois de sete anos sem competir fez 9º na abertura, esperava mais?
R- Mais é subjectivo, para quem tanto tempo esteve fora das competições, fazer 9º já é muito bom, ainda para mais quando vencemos a prova através do nosso líder, Célio Apolinário. A equipa mostrou-se muito forte colectivamente.
Que objectivos tem para esta época?
R- É complicado, como disse vou competir muito pouco, tenho de pensar corrida a corrida. Gostava de fazer um resultado interessante nos Mundiais caso a equipa vá e seja convocado para estar presente, mas acima de tudo ajudar a equipa no que poder.
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| Actualizado em ( 20-Mar-2008 ) |
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A U.C.Buraca foi a sua única equipa de formação?
Sente que pode substituir o Marco Chagas?